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Artigo

Escudo antidrone da COP30: o que o Brasil aprendeu sobre C-UAS em eventos críticos

Reportagem técnica sobre a primeira aplicação em larga escala de um sistema C-UAS 100% nacional em evento internacional, e o que isso revela sobre doutrina, lacunas legais e mercado contra-drone no país.

4 min de leitura
Sistema de radar de defesa aérea apontado para o céu noturno sobre uma cidade

Onze dias. Esse foi o período em que o escudo antidrone COP30 protegeu o espaço aéreo de Belém durante a conferência da ONU, em novembro de 2025.

Pela primeira vez, um sistema desenvolvido e integrado no Brasil atuou como elemento central do escudo antidrone COP30. A operação ocorreu sem depender de soluções israelenses ou americanas nas camadas críticas de detecção e resposta. Dois anos antes, esse cenário parecia improvável.

O escudo antidrone COP30 reuniu sensores RF passivos, radares de banda X, câmeras infravermelhas refrigeradas e jammers direcionais. Os equipamentos foram distribuídos em sete pontos estratégicos da capital paraense.

O sistema funcionou durante todo o evento e se tornou um marco para o mercado brasileiro de C-UAS. Porém, o maior legado do escudo antidrone COP30 não está apenas nos resultados alcançados. As principais lições surgiram nos campos operacional, regulatório e industrial.

Antena de radar militar usada para detecção e rastreamento de aeronaves
Radares de banda X formaram uma das camadas do sistema C-UAS coordenado pelo COMDABRA.

Foto: Magda Ehlers

O que é um sistema C-UAS e como o modelo do escudo antidrone COP30 se encaixa

C-UAS (Counter-Unmanned Aircraft Systems) é o conjunto de tecnologias utilizado para detectar, identificar, rastrear e neutralizar drones hostis ou não autorizados.

Um sistema C-UAS completo opera em três camadas:

  • Sensores passivos, como RF e acústicos.
  • Sensores ativos, como radar e EO/IR.
  • Efetores, como jamming, spoofing, captura ou neutralização.

O escudo antidrone COP30 integrou essas três camadas em uma única arquitetura operacional.

Operador civil pilotando um pequeno drone de consumo em área urbana
A maior parte das incursões registradas em Belém veio de operadores civis curiosos, não de ameaças hostis.

Foto: Darrel Und

A coordenação ficou sob responsabilidade do COMDABRA. Também participaram da operação a Polícia Federal, a ABIN e a Força Aérea Brasileira.

O fornecedor principal foi um consórcio formado por IACIT, Akaer e Harpia Sistemas.

O resultado foi um dos projetos mais ambiciosos já executados no Brasil para defesa contra drones.

A doutrina ainda engatinha e isso apareceu durante o escudo antidrone COP30

O aspecto mais revelador do escudo antidrone COP30 não foi a tecnologia.

Foi a doutrina.

O Brasil chegou ao evento sem um manual conjunto específico para operações C-UAS em grandes ambientes civis.

Sala de comando e controle com operadores monitorando telas de vigilância
A fusão de dados multi-sensor em um C2 unificado foi o diferencial validado pela operação.

Foto: Fernando Narvaez

Atualmente existe uma combinação de normas, portarias e procedimentos distribuídos entre diferentes órgãos.

Durante a operação foram registradas 63 incursões de drones na área restrita.

Segundo a Polícia Federal, 41 ocorrências envolveram operadores civis sem intenção hostil.

Somente nove casos exigiram neutralização ativa.

Vista aérea de grande evento ao ar livre com perímetro de segurança
Eventos como JMJ 2028 e cúpulas futuras herdarão o playbook escrito em Belém.

Foto: Luiz Valber

As demais situações foram resolvidas por contato direto com os operadores.

A experiência deixou uma conclusão clara.

O maior desafio de um sistema contra drones em ambiente urbano não é o drone hostil.

É o drone operado por alguém que desconhece as restrições temporárias do espaço aéreo.

As lacunas legais expostas pelo escudo antidrone COP30

A operação também revelou limitações regulatórias importantes.

Entre elas:

  • Ausência de regulamentação específica da ANAC para sistemas C-UAS civis.
  • Remote ID ainda não obrigatório em todo o território nacional.
  • Falta de protocolo público para coleta e preservação de evidências.
  • Sobreposição de competências entre DECEA, ANAC, Anatel e forças policiais.

O escudo antidrone COP30 mostrou que a tecnologia está avançando mais rápido que a regulamentação.

Essa diferença tende a se tornar um dos principais desafios do setor nos próximos anos.

Como o escudo antidrone COP30 mudou o mercado brasileiro

Antes do escudo antidrone COP30, o mercado brasileiro de C-UAS era relativamente pequeno.

Grande parte dos projetos dependia de equipamentos importados e integradores estrangeiros.

Depois da operação em Belém, a percepção mudou.

O escudo antidrone COP30 demonstrou que empresas nacionais podem desenvolver sensores, integrar sistemas complexos e entregar capacidade operacional em eventos internacionais.

A IACIT fortaleceu sua posição como integradora de sistemas.

A Harpia Sistemas demonstrou capacidade competitiva no segmento de efetores RF.

A Akaer consolidou sua presença em projetos de comando e controle.

Além disso, o Ministério da Justiça passou a avaliar novos projetos para proteger presídios federais e infraestruturas críticas.

Onde a indústria nacional ainda precisa evoluir

Apesar dos avanços demonstrados pelo escudo antidrone COP30, ainda existem desafios relevantes.

Os principais são:

  • Detecção de drones FPV conectados por fibra óptica.
  • Redução de falsos positivos em ambientes urbanos.
  • Neutralização eficiente de enxames coordenados.
  • Escalabilidade operacional para múltiplas cidades ao mesmo tempo.

Esses temas devem orientar os investimentos da indústria brasileira nos próximos anos.

Lições operacionais deixadas pelo escudo antidrone COP30

A operação realizada em Belém gerou aprendizados importantes.

Sensores RF continuam essenciais

Sensores passivos permanecem sendo a principal ferramenta de detecção em ambientes urbanos.

Integração vale mais que equipamento isolado

O sucesso do escudo antidrone COP30 dependeu da fusão de dados em uma única plataforma operacional.

Resposta gradual reduz riscos

A neutralização ativa deve ser utilizada apenas quando realmente necessária.

Formação de operadores é prioridade

O principal gargalo continua sendo o fator humano.

Considerações finais

O escudo antidrone COP30 provou que o Brasil possui capacidade técnica para desenvolver e integrar soluções avançadas de defesa contra drones.

Ao mesmo tempo, a operação mostrou que ainda existe uma distância significativa entre um projeto temporário de sucesso e uma capacidade nacional permanente.

O principal legado do escudo antidrone COP30 está na validação da indústria nacional e na criação de experiência operacional real.

Nos próximos meses, o mercado acompanhará três movimentos importantes:

  • A possível consulta pública da ANAC sobre C-UAS civil.
  • Novos contratos federais para proteção de infraestrutura crítica.
  • A expansão dos programas de treinamento especializados.

Se esses três pilares avançarem, o escudo antidrone COP30 poderá ser lembrado como o momento em que o Brasil deixou de ser apenas comprador de tecnologia contra drones e passou a atuar como desenvolvedor e integrador de soluções próprias.