🏆 Drones Insight Award 2026 is open — vote for the most impactful drone company of the year. Cast your vote →

Drones Insight
TRANSMITINDO
Part 108 da FAA: o que muda no BVLOS global e por que operadores fora dos EUA devem se preocupar IS 94-004: como a ANAC simplificou o voo de baixo risco e o que muda para operadores Novo RBAC 100 da ANAC: o que muda para o piloto de drone no Brasil em 2026 35 mil drones nas lavouras: a nova economia da pulverização por serviço no Brasil Choque na oferta de drones agrícolas: como a FCC Covered List está redesenhando a economia global da pulverização O plano da FAB para fabricar drones militares no Brasil — e o que o Exército ainda importa Albatroz e turbina nacional: a aposta da FAB em drones brasileiros de combate Part 108 da FAA: o que muda no BVLOS global e por que operadores fora dos EUA devem se preocupar IS 94-004: como a ANAC simplificou o voo de baixo risco e o que muda para operadores Novo RBAC 100 da ANAC: o que muda para o piloto de drone no Brasil em 2026 35 mil drones nas lavouras: a nova economia da pulverização por serviço no Brasil Choque na oferta de drones agrícolas: como a FCC Covered List está redesenhando a economia global da pulverização O plano da FAB para fabricar drones militares no Brasil — e o que o Exército ainda importa Albatroz e turbina nacional: a aposta da FAB em drones brasileiros de combate
Artigo

SARPAS NG sob pressão: como planejar voos quando os pedidos crescem 25% ao ano

Guia operacional para pilotos e fleet managers diante da saturação do SARPAS NG: como estruturar pedidos, escolher janelas e reduzir indeferimentos em áreas urbanas e CTRs movimentados.

5 min de leitura
Operador de drone planejando voo em laptop com mapa aeronáutico ao lado de um quadricóptero

Vinte e cinco por cento ao ano. Esse é, segundo dados consolidados pelo próprio DECEA em apresentações de 2024, o ritmo de crescimento dos pedidos de acesso ao espaço aéreo via SARPAS NG — a plataforma que todo operador de drone no Brasil precisa atravessar antes de decolar fora de áreas rurais isoladas. E o sistema, francamente, está sentindo o peso.

Quem opera em CTR movimentada (pense Congonhas, Guarulhos, Pampulha, Santos Dumont) já percebeu: pedidos que antes saíam em 24h hoje voltam com indeferimento por detalhe técnico, ou ficam pendurados até a véspera. Não é má vontade do controlador. É volume. E planejar voo no Brasil de 2025 exige uma abordagem mais cirúrgica do que em 2021.

O que é o SARPAS NG, em uma definição direta

O SARPAS NG (Sistema de Solicitação de Acesso de Aeronaves Remotamente Pilotadas, Nova Geração) é a plataforma digital do DECEA que avalia e autoriza solicitações de uso do espaço aéreo brasileiro por aeronaves remotamente pilotadas (RPA). Toda operação fora de área rural afastada de aeródromos — ou acima de 120m AGL — depende de um pedido nele, classificado por nível de risco e analisado por órgão ATS competente conforme a ICA 100-40.

Por que os indeferimentos estão subindo

Na prática, três fatores se combinaram nos últimos 18 meses. Primeiro, o aumento explosivo de operadores cadastrados. O SISANT passou de 110 mil aeronaves registradas no fim de 2023 para mais de 145 mil em meados de 2025, elevando significativamente o volume de solicitações processadas pelo SARPAS NG. Segundo, projetos de inspeção de infraestrutura, como linhas de transmissão da ISA CTEEP, dutos da Transpetro e torres de telecomunicações da IHS, saíram da fase piloto e passaram a gerar um número crescente de pedidos no SARPAS NG. Terceiro, a integração ainda limitada com sistemas de UTM não reduziu a carga operacional do SARPAS NG, mantendo o controlador humano como principal gargalo do processo.

Esse crescimento acompanha a evolução regulatória do setor. Com a entrada em vigor do RBAC 100, mais empresas passaram a realizar operações avançadas e a depender do SARPAS NG para obter autorizações de espaço aéreo em áreas controladas e missões BVLOS.

O resultado é previsível. Com mais solicitações chegando diariamente ao SARPAS NG, pedidos genéricos, mal preenchidos ou enviados em cima da hora têm maior probabilidade de serem indeferidos. E quem paga o preço por um indeferimento no SARPAS NG é o piloto que prometeu entregar o levantamento ao cliente dentro do prazo. Em um mercado cada vez mais competitivo, compreender o funcionamento do SARPAS NG deixou de ser apenas uma exigência regulatória e passou a ser uma vantagem operacional.

Torre de controle de aeroporto comercial movimentado ao entardecer
CTRs de aeroportos comerciais concentram o maior volume de indeferimentos.

Foto: Johannes Heel

Como estruturar o pedido para não cair na fila do indeferimento

Vou direto ao ponto. Existem padrões que separam operadores que aprovam 95% dos pedidos daqueles que aprovam 60%. Não é sorte.

  1. Antecedência mínima realista: 45 dias para operações BVLOS ou em CTR Classe C; 15 dias para VLOS em ATZ; 7 dias para áreas Classe G afastadas. O texto da ICA fala em 30 dias, mas o backlog real recomenda mais.
  2. Polígono enxuto. Não desenhe um quadrado de 4 km² se vai voar 0,3 km². Cada metro a mais que cruza fronteira de setor aumenta a chance de coordenação cruzada — e atraso.
  3. Altura coerente com a missão. Pedir 120m AGL para um voo de fachada de prédio que precisa de 45m é bandeira vermelha para o analista.
  4. Justificativa técnica no campo livre: tipo de sensor (RGB, LiDAR, multiespectral), finalidade (cadastro, inspeção, fotogrametria com RTK/PPK), e referência ao contratante quando possível.
  5. Plano B documentado. Janela alternativa de 48h depois da principal. Aumenta a chance de aprovação condicionada.

Janelas de horário: o que ninguém te conta

Pedir voo entre 10h e 16h em CTR de aeroporto comercial é remar contra a maré. O fluxo IFR está no pico, o controlador está saturado, e a tendência é negar ou empurrar. Janelas que historicamente passam mais fácil:

  • Nascer do sol até 08h local (baixo tráfego comercial, luz boa para fotogrametria).
  • Após 19h em aeródromos sem operação noturna — exige NOTAM, mas reduz conflito.
  • Domingos e feriados em CTRs de aviação executiva (Jacarepaguá, Belo Horizonte/Pampulha).
  • Janelas de 90 minutos, não de 4 horas. Pedidos curtos passam mais rápido.
Drone voando ao nascer do sol com luz dourada ao fundo
Janelas no início da manhã reduzem conflito com tráfego comercial.

Foto: Emrah AYVALI

À primeira vista parece restritivo. No fundo, é o contrário: você troca flexibilidade teórica por previsibilidade real.

Áreas urbanas e o problema da sobreposição

São Paulo é o caso extremo. Um voo no centro expandido cruza, simultaneamente, a CTR de Congonhas, a TMA-SP, áreas de heliponto privado (e são centenas), e zonas de restrição da Polícia Federal próximas a alvos sensíveis. Cada uma dessas camadas pode acionar uma coordenação separada.

A leitura honesta: se a sua operação é em região metropolitana, contrate (ou treine internamente) alguém que leia carta de navegação. Não dá para terceirizar isso para o template do SARPAS NG. O sistema mostra os polígonos, mas não interpreta — quem interpreta é você.

Operadores como a Speedbird Aero (entregas em Aracaju, sob waiver BVLOS desde 2022) e a Avibras na área de defesa construíram processos internos de pré-análise cartográfica antes mesmo de abrir o sistema. É o caminho.

Vista aérea do centro expandido de São Paulo com prédios e helipontos
Em regiões metropolitanas, a sobreposição de áreas restritas exige leitura cartográfica refinada.

Foto: Joao Tzanno

Fleet managers: métricas que importam

Se você gere uma frota de 8, 20 ou 60 RPAs, parar de olhar SARPAS NG como tarefa burocrática individual e tratar como KPI operacional muda o jogo. Sugestão de indicadores:

  • Taxa de aprovação no primeiro envio (meta saudável: > 85%).
  • Tempo médio entre submissão e despacho (benchmark atual em CTR Classe C: 5-9 dias úteis).
  • Custo de retrabalho por pedido indeferido (some hora-piloto, hora-analista, multa contratual).
  • Concentração geográfica — se 70% dos seus pedidos caem em 3 CTRs, cultive relacionamento técnico com aqueles órgãos ATS.
Painel de indicadores operacionais em monitor exibindo gráficos e métricas
Tratar o SARPAS NG como KPI operacional muda a gestão da frota.

Foto: Luke Chesser

O que vem por aí: Remote ID, U-Space brasileiro e o UTM

À medida que o mercado evolui para UTM, Remote ID e operações mais complexas, a vantagem competitiva estará menos no equipamento e mais na capacidade de construir um negócio estruturado. Por isso, temas como precificação, estratégia comercial e posicionamento de mercado ganham relevância para operadores que desejam crescer de forma sustentável.

Considerações finais

  • O SARPAS NG não vai ficar mais rápido em 2025 — planeje com 2-3 semanas de folga em CTR movimentada.
  • Polígono pequeno, janela curta, justificativa técnica detalhada: a fórmula que reduz indeferimento.
  • Trate aprovação como métrica operacional, não como burocracia individual do piloto.
  • Acompanhe os movimentos do DECEA rumo ao UTM. Quem se estruturar antes da virada regulatória vai operar com vantagem clara.

A verdade incômoda é que o gargalo do SARPAS não vai sumir com reclamação em grupo de WhatsApp. Some pelo lado do operador: processo, antecedência e dado técnico. O resto resolve.