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DJI Agras T100 e T55: quando o pulverizador vira guindaste e muda a economia da lavoura

O salto para 100 L de payload e função de içamento transforma o drone agrícola de pulverizador em plataforma multiuso. Uma leitura crítica do que muda no CAPEX, na jornada operacional e na disputa com a XAG.

5 min de leitura
Drone agrícola de grande porte pulverizando lavoura verde ao amanhecer

O que muda de fato do T50 para o DJI Agras T100

Cem litros. Esse é o número que muda a conversa sobre pulverização aérea agrícola e faz o DJI Agras T100 deixar de ser apenas “um drone maior” para se tornar uma plataforma multifuncional no campo. Além da pulverização, o equipamento pode espalhar sementes e outros insumos sólidos e realizar operações de içamento com até 80 kg de carga. Seu irmão menor, o T55, segue a mesma proposta, com tanque de 70 litros e sistema de guincho.

Apresentado pela DJI no fim de 2024, o Agras T100 combina tanque de 100 litros para pulverização, espalhador de 150 litros para sólidos, LiDAR frontal e traseiro, radar de fase e câmera FPV binocular. Os dois modelos utilizam baterias de troca rápida de 30.000 mAh e carregador de 13 kW.

Mas, para o produtor, a questão principal não está apenas no que esses drones conseguem fazer. Está em quanto essa capacidade pode representar em produtividade, eficiência e retorno sobre o investimento.

Drone agrícola pulverizando plantação de soja em operação de campo
Plataformas multifuncionais como o T100 combinam pulverização, espalhamento e sensores avançados.

Foto: Magda Ehlers / Pexels

A nova matemática do CAPEX

O T100 representa um salto de capacidade em relação aos modelos anteriores, mas a conta não depende apenas do tamanho do tanque. O ganho de produtividade só aparece quando as recargas são realmente o principal gargalo da operação. Em muitas propriedades, o desafio está na logística de água limpa, no deslocamento entre talhões ou nas condições climáticas.

Por isso, colocar um T100 para trabalhar em uma operação pequena, com poucos pontos de abastecimento, pode significar pagar por uma capacidade que não será plenamente aproveitada. O investimento faz mais sentido para operações de maior escala, como prestadores de serviço com grandes carteiras de hectares, usinas com operação própria e fazendas de grãos com pulverização programada. Para operações menores, modelos como o T50 podem oferecer uma relação mais equilibrada entre capacidade e necessidade operacional.

Jornada operacional: onde o T100 ganha e onde trava

Em testes divulgados pela própria DJI, o T100 apresentou uma produtividade de até 90 hectares por hora em condições controladas. No campo, porém, fatores como vento, obstáculos, logística e condições de operação podem reduzir esse desempenho. Por isso, é mais adequado tratar o número de fábrica como uma referência de capacidade, e não como uma produtividade garantida.

Outro ponto importante é o ciclo de operação. Em aplicações mais pesadas, o tempo de voo por bateria diminui, enquanto a recarga e a troca das baterias passam a fazer parte diretamente da produtividade. Para manter o drone em operação contínua, é necessário estruturar uma estratégia de baterias, carregamento e abastecimento que evite períodos de espera.

Também existe uma questão regulatória. Com o equipamento carregado, o peso da operação exige atenção às regras aplicáveis no Brasil, incluindo requisitos da ANAC e, conforme o cenário da operação, procedimentos junto ao DECEA. Não é necessariamente um impeditivo, mas é uma variável que precisa entrar no planejamento antes da compra e da operação.

No fim, a produtividade do T100 não depende apenas da velocidade do drone. Ela é resultado da combinação entre autonomia, baterias, abastecimento, logística, condições de campo e conformidade regulatória.

Operador realizando troca de baterias de drone agrícola em ponto de abastecimento no campo
A logística de baterias e recargas é decisiva para a produtividade real no campo.

Foto: Magda Ehlers / Pexels

A disputa com a XAG e o mercado brasileiro

A XAG também vem ampliando sua presença no mercado de drones agrícolas. O P150, anunciado para 2025, segue uma proposta de maior capacidade e eficiência energética, enquanto o P100 Pro permanece como um dos principais modelos da marca.

Mais do que uma disputa de especificações, a concorrência entre DJI e XAG envolve fatores como assistência técnica, disponibilidade de peças, financiamento e suporte ao operador. Na prática, esses aspectos podem pesar tanto quanto a capacidade de voo ou o tamanho do tanque na hora de escolher um equipamento.

Por isso, a decisão de compra não deve se limitar à ficha técnica. Para uma operação agrícola, ter acesso rápido a peças de reposição, manutenção e suporte pode fazer a diferença entre manter o drone trabalhando ou deixá-lo parado durante uma janela importante de aplicação.

Técnico realizando manutenção em drone agrícola de grande porte
Assistência técnica e peças de reposição pesam tanto quanto a ficha técnica na decisão de compra.

Foto: DRONE EFT / Unsplash

E o guincho? Vira feature ou vira produto?

Aqui mora minha aposta editorial: a função de içamento vai definir a segunda onda de adoção. Não pela pulverização — pela logística interna de fazenda. Transporte de insumo até áreas de difícil acesso, movimentação de mudas em reflorestamento, entrega de peças em pivô central quebrado no meio do talhão. Em silvicultura, a Suzano e a Klabin já testam drones de carga desde 2023. Um T100 com guincho de 80 kg entra nessa conversa por metade do preço de um drone de carga dedicado.

Drone de carga transportando insumos suspensos por cabo sobre área rural
A função de içamento pode abrir uma nova onda de aplicações logísticas dentro da fazenda.

Foto: Cemrecan Yurtman / Pexels

Considerações finais

O DJI Agras T100 não substitui o T50 em todas as operações. Ele faz mais sentido quando a capacidade adicional realmente resolve um gargalo da operação. Caso contrário, o investimento pode representar uma estrutura maior do que a necessidade do produtor.

Entre os diferenciais do T100, o sistema de içamento merece atenção. A possibilidade de transportar cargas amplia o uso do equipamento para além da pulverização e pode abrir espaço para novas aplicações no campo, desde que sejam realizadas dentro das regras e condições autorizadas.

A disputa com modelos como o XAG P150 também mostra que a escolha não deve ser feita apenas pela ficha técnica. Capacidade, autonomia e recursos são importantes, mas disponibilidade de peças, assistência técnica, treinamento e suporte na região podem ter impacto direto na continuidade da operação.

O fator regulatório também precisa entrar nessa conta desde o início. Antes de investir em um equipamento desse porte, é fundamental verificar quais requisitos se aplicam à operação pretendida e quais autorizações serão necessárias.

Nos próximos anos, um dos pontos mais interessantes será acompanhar como o mercado vai explorar as novas capacidades desses equipamentos. Se aplicações além da pulverização ganharem espaço e a regulamentação acompanhar essa evolução, o T100 pode deixar de ser visto apenas como um drone agrícola de alta capacidade e passar a ocupar um papel mais amplo dentro da infraestrutura operacional do campo.