DJI nos EUA em 2026: tarifa de 25%, FCC Covered List e o que operadores ainda podem voar
Separar mito de realidade: não há banimento federal explícito de uso, mas FCC, CBP e tarifa de 25% criam restrição de facto. Guia editorial para o operador comercial decidir frota em 2026.
Vinte e cinco por cento. Esse é o adicional tarifário que passou a incidir sobre drones DJI importados pelos EUA a partir do primeiro trimestre de 2025, empilhado sobre as tarifas Seção 301 que já vinham de 2018. Antes de decidir se troca a frota, o operador americano precisa entender uma coisa: o banimento DJI EUA, do jeito que a imprensa vende, não existe pelo menos não como proibição federal explícita de voar. O que existe é uma teia de restrições regulatórias, alfandegárias e tarifárias que, somadas, produzem um efeito prático parecido. Só que com nuances que mudam a decisão de compra.
Afinal, existe um banimento federal da DJI nos EUA em 2026?
Não há, até o fechamento desta edição, uma lei federal que proíba cidadãos ou empresas americanas de banimento DJI EUA. O que existe é um conjunto de camadas restritivas: a inclusão da DJI na Entity List do Departamento de Comércio (dezembro/2020), a Section 1709 do NDAA 2024 (que instruiu a FCC a avaliar a inclusão da DJI na Covered List), retenções de carga pelo Customs and Border Protection sob suspeita de trabalho forçado (UFLPA), e restrições estaduais Flórida, Tennessee, Arkansas e Mississippi já vetam compras públicas de DJI com dinheiro estadual.
O ponto de virada ocorreu em dezembro de 2025, quando a FCC adicionou à Covered List os UAS e componentes críticos produzidos no exterior. A medida bloqueia novas autorizações para equipamentos abrangidos, mas não transforma automaticamente os drones já adquiridos em equipamentos proibidos de operar.
Definição rápida (para quem chegou agora)
O chamado “banimento DJI EUA” não corresponde a uma única proibição federal de posse ou operação. O cenário é formado por diferentes medidas envolvendo autorização da FCC para novos equipamentos, compras e operações pelo governo federal, tarifas de importação e outras restrições comerciais.
A tarifa de 25% e o que ela realmente muda no preço final
As restrições e tarifas também pressionam os preços dos drones profissionais da DJI nos EUA. Com equipamentos e componentes mais caros, a renovação de frotas passa a exigir um investimento maior, especialmente em operações que utilizam plataformas de alto valor.
Para empresas com frotas maiores, esse aumento pode representar um impacto significativo no CAPEX e tornar o planejamento de renovação e manutenção ainda mais estratégico.
Foto: Markus Winkler / Pexels
FCC Covered List: o gatilho que ainda não foi puxado
O NDAA de 2024 deu à DJI (e à Autel Robotics) um prazo: agências federais de segurança teriam até um ano para avaliar riscos. Se nenhuma agência concluísse a auditoria dentro do prazo, a inclusão na Covered List seria automática. Esse prazo venceu no final de 2025 sem uma auditoria formal concluída — o que, na leitura mais dura, já dispararia o gatilho. Na leitura mais branda (defendida pela própria DJI e por parte do Congresso), o processo exige rulemaking formal da FCC antes de qualquer efeito prático.
Na prática, a FCC ainda não abriu o procedimento. Isso significa que, em 2026, drones DJI já em posse de operadores continuam legalmente operáveis. O que muda, se e quando a Covered List for atualizada: novas importações perdem certificação de rádio, e equipamentos vendidos após a data efetiva não podem ser comercializados. A frota instalada, pelo precedente Huawei, provavelmente entra em regime de grandfathering — mas ninguém garante isso por escrito.
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O que o operador comercial americano ainda pode voar em 2026
Voar DJI segue permitido federalmente para operações Part 107 comerciais. As restrições reais aparecem em quatro frentes específicas:
- Contratos federais: DoD, Interior, DOJ e a maioria das agências federais estão vetadas de comprar ou contratar operação com drones chineses desde o American Security Drone Act (2023).
- Contratos estaduais em estados restritivos: FL, TN, AR e MS bloqueiam uso de DJI em missões pagas com dinheiro público — polícia, bombeiros, agências de transporte.
- Infraestrutura crítica: operadores de utilities e óleo & gás enfrentam pressão contratual (não legal) para migrar. Duke Energy e Southern Company anunciaram phase-out de DJI em 2024.
- Reposição de peças: esse é o problema silencioso. Baterias TB60, hélices, gimbals de reposição — o lead time saltou de 2 semanas para 8-12 semanas em muitos revendedores.
Alternativas que estão de fato ganhando frota
Com as restrições aos fabricantes chineses, empresas e órgãos públicos americanos passaram a avaliar alternativas como Skydio e Freefly. O Skydio X10, por exemplo, é voltado a operações de segurança pública e aplicações de Drone as First Responder (DFR).
No segmento de mapeamento e inspeção, o Freefly Astro também aparece como uma alternativa profissional, com suporte a diferentes cargas úteis e aplicações de levantamento.
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A Autel Robotics também merece atenção. Migrar da DJI para outro fabricante não elimina automaticamente os riscos regulatórios e de conformidade no mercado americano.
Como avaliar a frota em 2026
- Analise os contratos. Verifique se seus clientes ou fontes de financiamento impõem restrições específicas aos fabricantes utilizados.
- Avalie o custo total. Considere aquisição, peças, manutenção, software, treinamento e disponibilidade de equipamentos.
- Teste alternativas antes de substituir toda a frota. Uma operação-piloto pode revelar diferenças importantes de desempenho e fluxo de trabalho.
- Considere a conformidade. Para operações sujeitas a exigências governamentais, a origem do equipamento e sua situação regulatória podem ser tão importantes quanto suas especificações técnicas.
Considerações finais
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O cenário americano para drones mudou de forma significativa. As restrições não representam simplesmente uma proibição geral de voar DJI, mas criam impactos sobre aquisição, certificação, contratos públicos e planejamento de frota.
Para empresas que dependem de drones profissionais, a decisão de compra em 2026 precisa considerar não apenas o desempenho do equipamento, mas também sua disponibilidade, suporte, custo de manutenção e risco regulatório.
A questão, portanto, deixou de ser apenas qual drone oferece o melhor desempenho? e passou a ser também: qual plataforma continuará sendo viável para a operação nos próximos anos?